#Estudos

Produzindo Imagens que Contam Histórias

Giana
Publicado em
28 de agosto de 2020

Quem nunca se viu imerso na história que uma imagem provocou em você? Já diz o ditado que “uma imagem vale por mil palavras”… Se é importante que histórias escritas tenham uma narrativa cativante, pensar o conceito de narrativa visual para as artes que você cria pode ser uma boa maneira de estudar e se aprofundar em estudos da imagem.

A fotografia documental é um gênero capaz de capturar imagens poderosas e com voz própria e pode ser uma boa aliada para que você estude luz e sombra ou retratos e expressões faciais. Com isso, você vai adquirir mais percepção da face humana ou de cenários registrados pelas lentes.

E quais bons elementos uma imagem precisa ter para contar uma história? Bem, acho que para isso não existe uma fórmula certa e vai depender muito dos seus estudos e experiências. Cada artista é único e vai criar artes únicas quando estiver atento e sensível ao seu redor. Mas ampliar o seu olhar do mundo, com certeza vai te dar pistas de como chegar lá e desenvolver seu próprio estilo…

Humano, uma viagem pela vida

É um documentário feito a partir de entrevistas com 2.020 pessoas, em 63 línguas e de 60 países diferentes. Está disponível em HD no Youtube e vai da parte 1 a 3.

“Eu sonhei com um filme em que a força das palavras ampliasse a beleza do mundo. As pessoas me falaram de tudo; das dificuldades de crescer, do amor e da felicidade. Toda essa riqueza é o centro do filme HUMAN. Esse filme representa todos os homens e mulheres que me confiaram suas histórias. O filme se tornou um mensageiro de todos eles“.

Yann Arthus-Bertrand

O fotógrafo e cineasta Yann Arthus-Bertrand propõe uma forma de escuta do outro para entender a essência humana e refletir sobre o que somos e o que queremos não apenas como indivíduos, mas também como sociedade.

Os registros nos mostram trabalhadores, camponeses, aborígenes, refugiados, soldados, rebeldes, prisioneiros sentenciados à pena de morte, mães, pais, maridos e mulheres que compartilham um pouco de quem são e como enxergam o mundo nos mais diferentes contextos.

São retratos muito potentes e paisagens surpreendentes que nos mostram toda a força que uma imagem pode ter. Todo esse mosaico da natureza humana, intercalado com imagens aéreas de tirar o fôlego mostram as belezas e os impactos provocados pelo homem e nos fazem repensar sobre nossa relação com o planeta.

“E foi em rostos, olhares e palavras onde encontrei uma poderosa forma de alcançar as profundezas da alma humana. Cada encontro te aproxima mais. Cada história é única. Ao explorar as experiências do outro, eu estava à procura de respostas”

Yann Arthus-Bertrand

Sebastião Salgado

Sebastião Salgado é um fotógrafo brasileiro e pela importância das imagens que registra já recebeu os principais prêmios internacionais de fotografia. O documentário “Sal da Terra” relata um pouco sobre o artista e foi finalista do Oscar em 2015.

Com uma temática crítica e social bem acentuada, suas fotografias mostram desde a América Latina a trabalhadores rurais e aos movimentos migratórios ao redor do planeta. Uma das suas marcas é a fotografia em preto e branco.

“Eu adorava a pintura, fotografava obras em preto e branco de Rembrandt. Comecei a ver que podia criar essas mesmas luzes e profundidades. O fotógrafo deve transmitir o que seu olho vê no momento de disparar, é preciso romper os limites da câmera. E ver o que os outros fazem não significa nada, cada um tem suas luzes interiores. A fotografia é feita com o passado de cada um, com sua ideologia.”

Sebastião Salgado

O conjunto de imagens registradas por Sebastião Salgado ao longo de mais de quatro décadas testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo em que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerra, pobreza e outras injustiças.

A imagem em destaque no começo dessa matéria é um registro do trabalho do Sebastião Salgado.

Afronautas

É um documentário ficcional da fotógrafa Cristina de Middel sobre um fracassado programa espacial criado em Zâmbia nos anos 1960. A artista imagina como seriam as imagens se o país africano tivesse recebido os recursos necessários para as suas pesquisas.

The Afronauts by Cristina De Middel from DEVELOP Tube on Vimeo.

"As imagens são belas, e a história é agradável a princípio, mas é baseada no fato de que ninguém acredita que a África algum dia chegará à Lua. O projeto esconde uma sutil crítica à nossa visão de todo o continente e aos nossos preconceitos”

Cristina de Middel

O responsável por esse programa era o professor Edward Makuka Nkoloso. Ele reuniu voluntários para sua equipe de afronautas, sendo uma mulher a candidata escolhida para o primeiro voo do Programa Espacial da Zâmbia quando nem os americanos cogitavam mandar mulheres ao espaço.

Em 1969 com a chegada do Homem na Lua, o projeto foi abandonado, o Centro Espacial demolido e Nkoloso trabalhou o restante da sua vida promovendo a ciência e a educação e defendendo que a Zâmbia poderia ser um grande país. O professor é um dos ícones do Afrofuturismo, movimento cultural que parte da perspectiva negra para abordar dilemas atuais dos negros e da diáspora africana através de diferentes manifestações artísticas e narrativas de ficção científica.

E você, costuma pensar na história por trás da imagem que cria, ilustra ou modela?
O que as imagens contam sobre seus personagens e cenários?

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